[su_accordion] [su_spoiler title=”Catando sucata – Antonio Soares” style=”fancy”]

Lendo as histórias publicadas nesta seção, vocês me fizeram lembrar do primeiro “pé de meia” que consegui juntar, quando tinha 9 ou 10 anos. Eu arrecadava junto aos vizinhos os jornais velhos, garrafas vazias, panelas velhas de alumínio e, além disso, procurava onde existiam consertos da Light ( hoje Eletropaulo), pois geralmente os operários deixavam cair pequenos pedaços de fio de cobre, que para eles nada valia, mas para mim era uma preciosa fonte de recursos. Juntada uma boa quantidade, lá ia eu vender o material arrecadado no ferro velho do Cicillo (lê-se Tchitchilo) na rua do Oratório ou esperava ansiosamente a passagem da carrocinha, cujo proprietário vinha gritando “garrafeiro, metaleiro” e adquiria todo o meu estoque. Acredito que nem é necessário dizer que esse dinheirinho era empregado na compra de figurinhas de futebol, balas e doces.

Antonio Soares

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Agruras da guerra – Ademar Lazzarini” style=”fancy”]

Lendo todas as outras histórias contidas nesta seção, tive várias saudosas recordações. Poderia citar diversas, porém tem uma que sempre me lembro: no período da 2a. Guerra Mundial (década de 40), onde havia escassez de alimentos, para conseguir comprar pão na padaria dos Iervolino localizada na Rua Barão de Jaguara com a Rua Dom Bosco, eu era obrigado a chegar por volta de meia noite (sendo que a padaria só abria de manhã), pegando uma grande fila e, ainda assim, só era possível comprar pão de milho.

Eram épocas difíceis, mas apesar de tudo, felizes!

Ademar Lazzarini

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Acompanhando a caravana da Ju-Jovem – Rodrigo Carvalho Leme” style=”fancy”]

Estava lembrando hoje de uma história engraçadissima. Há alguns anos atrás (gozado como essa história está cruzando a linha entre o “alguns anos atrás” e indo para o “muitos anos atrás”), quando o Fluminense estava disputando a segunda divisão do Brasileiro (1998, creio). Ele ia jogar contra o Juventus em SP, e o Ubiratan levantou a lebre de irmos ao jogo.

Para quem não sabe o Juventus (famoso Moleque Travesso) é um dos times de futebol mais tradicionais de São Paulo, localizado no não menos tradicional bairro da Mooca, reduto italiano em SP, e local de onde vieram expressões paulistanas como “belo”, “mina”, “meu” e sua variante “orra meu”; enfim, um dos bairros mais bacanas da cidade (eu creio que tenha sido italiano em outra vida, não é possível). Bom, após mais um momento Rodrigo de divagação, voltemos à história. O problema de se ver Juventus x Fluminense era que o jogo não aconteceria mais na Rua Javari, no simpático estádio do Juventus, e sim em Osasco, região da grande SP (o motivo para mim é desconhecido).

Bom, era para ser um problema, mas o Juventus disponibilizou dois ônibus para a torcida viajar pra Osasco, e lá fomos nós. Desnecessário dizer que a torcida do Moleque Travesso mal ocupa um ônibus, quanto mais 2, mas os dois fizeram a viagem, para impor o respeito que o time merece e fazer a devida pressão psicológica no adversário (que só tinha levado um ônibus, veja só).

O melhor dessa estória reside nas viagens de ida e de volta. Lá, conhecemos o responsável pela Ju-Jovem, torcida uniformizada do Juventus, um cara chamado de Serjão, que um paulistano não levaria 2 minutos de conversa para ter certeza que ele vinha da Mooca. O gestual, o jeito de falar, tudo nele transpirava suor italiano.

Da Rua Javari até Osasco, ele soltou uma série de discursos contra diretoria, contra jogador, contra técnico, com a autoridade de quem se mata pelo time. Foram criados alguns cantos de guerra para esquentar os ouvidos desses citados, mas o mais legal é que todos eram de uma educação impressionante: sem palavrões, sem palavras chulas, como se eu estivesse em 1950, quando se ia de estádio com chapéu e briga na torcida era algo que não existia.

Bom, 1 milhão de “nego”, “belo”, “orra” depois, chegamos em Osasco. O estádio era municipal, mas duvido muito que fosse o principal da cidade. Hmmmm, duvido que fosse estádio, parecia a sede de um time de várzea (tipo o Clube do Mé, aqui em SP). O jogo passa normalmente, as cantos antijogadores e técnico foram substituídos por pura paixão ao grená juventino, o que foi muito bom de se ver.

Fim de jogo, 1×0 para o Juventus. O Serjão, que teve comportamento exemplar durante o jogo, se altera de uma hora para outra, gritando para todos:

“VAMO EMBORA QUE OS CARAS DO FLUMINENSE QUEREM PEGAR A GENTE!!!!”

O mais engraçado é que eu via a torcida do Fluminense saindo tranqüilamente pela saída oposta àquela onde estava nosso ônibus esperando. Tudo bem, tudo em nome da diversão, entrei no clima de desespero. Eu vi velhinhos, crianças, todo mundo correndo loucamente para o ônibus, e ao chegar lá, o Serjão foi taxativo:

“TOCA AÍ, VAMO EMBORA LOGO!!!!”

Nada é como nos filmes, e o motorista ainda esperou algumas pessoas entrarem no ônibus antes de dar partida e sair tranqüilamente (parecia estar acostumado com a paranóia da saída de jogo). Então, indo embora, o Serjão intervém mais uma vez:

“CADÊ O VICENTE?????? ELE NÃO ENTROU NESSE ÔNIBUS?????”

Ele desce correndo, parte para o front e traz de volta um senhor idoso, que estava pacientemente esperando o ônibus encostar após o jogo. Eu não consegui agüentar, ri loucamente no fundo do ônibus, em um volume seguro, até porque não queria ser largado lá. A cena mais uma vez se repete, e entram no veículo uma menina e o pai dela.

Na volta, foi só passeio e mais discurso. Ainda falamos com um jornalista que cobre os jogos do time e que apresenta um programa do Juventus em uma rádio de SP (não lembro do nome, desculpem), e fechamos o passeio nesse túnel do tempo que é o Clube Atlético Juventus…

Rodrigo Carvalho Leme

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”O Campo dos bois – Marcio Luiz Donato” style=”fancy”]

Embora tenha nascido na rua Guaratinguetá, numa vila onde morou o maestro Élcio Álvares, passei grande parte de minha infância e adolescência morando em um sobrado na rua da Mooca quase esquina com Rua Itaqueri, isso nas décadas de 60 e 70. Próximos de casa havia três campos de futebol de várzea e vários terrenos anexos que no conjunto eram chamados de “Campo dos Bois”. Não me recordo porque esse local era assim chamado. O importante é que assisti muitas partidas de futebol, que não me saem da memória, além de toda a história que envolveu aquele local.

Como comentei acima, o complexo “Campo dos Bois” era formado por três campos de futebol. Chamarei de campo 1 àquele que ficava em paralelo à rua Itaqueri; de campo 2 àquele do meio e de campo 3 àquele que ficava em perpendicular à rua Fernando Falcão.

Grandes times e grandes jogadores, autênticos craques, proporcionavam partida de futebol em nível técnico muito melhor do que alguns jogos que temos visto ultimamente.

Trago na minha lembrança que aos sábados pela manhã poucos times jogavam naqueles campos, mas nenhum time ficou gravado em minha memória.

Ao contrário, no Sábado à tarde , lembro-me muito bem dos times que ali jogavam: no campo 1 mandava seus jogos um time chamado inicialmente de Viana do Castelo e posteriormente Brasília. Seu técnico era uma pessoa de família tradicional da Mooca, senhor Bastiglia e até hoje encontro um de seus goleiros, Gregório e um zagueiro chamado Tatão. Se não me engano, desse time saiu um jovem médio volante, Maurinho, que jogou no time profissional do Juventus.

No campo 2, jogava o time mais concorrido na época, o Botafogo. Quero acreditar que presenciei em alguns sábados tamanha quantidade de público assistindo aos jogos do Botafogo que superlotaria o campo do Juventus na rua Javari.

O time da Metalúrgica Rio jogava no campo 3, completando os times do Sábado à tarde.

No Domingo, jogava no campo 1 um time formado por japoneses ou nisseis chamado Tobu. Dificilmente o Tobu, embora mandante do campo, ganhava uma partida, considerando-se primeiro ou segundo quadros. Cheguei a jogar no Tobu, mas era um jogador tão medíocre que nem para esse time servia. Não posso me esquecer que antes do Tobu, jogava bem cedo um time juvenil chamado Santos Futebol Clube, obviamente com a camisa idêntica ao time profissional.

No campo 2, jogava o Paschoal Moreira, com seu uniforme alaranjado, do inesquecível lateral direito Jaú (as canelas dos adversários que digam), da sua raça; da elegância do goleiro Bojão e do toque refinadíssimo de Baltazar, um meia de extrema categoria.

Bem cedo pela manhã, um verdadeiro celeiro de craques juvenis jogava no campo 3, o time com uniforme idêntico ao da seleção brasileira chamado CBD, de onde me lembro de Marinho e outros jogadores.

Após o CBD, inicialmente Urano e posteriormente Grêmio Urano jogava no terceiro campo e quem viveu essa época não esquece de Vicentinho, do goleiro Luís, o goleiro reclamão Rafael, do zagueiro Wilson, do centroavante Julinho e até meu irmão lateral esquerdo Dinho.

Duas ou três vezes ao ano acontecia o clássico Paschoal Moreira versus Urano e num desses jogos pude presenciar um gol-de-bola-e-tudo feito por Kosilek, centroavante do Grêmio Urano, que chegou ao time profissional do Corinthians.

Recordo-me com muita emoção e saudade dos Gatos, Rubinhos, Kid , Montes que jogavam muito e tornavam nosso fim de semana mais alegre e jamais esquecerei desses tempos.

Além, dos campos de futebol, havia muito espaço livre, onde jogávamos as famosas peladas, inclusive os “contras” por exemplo rua da Mooca versus Rua dos Campineiros, Rua dos Trilhos versus Campineiros.

Também não poderia de deixar de comentar a barraquinha do Valter, onde tinha uma batatinha temperada que nunca mais comi igual além da famosa raspadinha (gelo raspado com groselha ou outros xaropes).

Infelizmente esses campos já não existem mais, como muita coisa da Mooca, mas quem viveu essa época vai concordar comigo que ali era um local fantástico.

Marcio Luiz Donato

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Quantas recordações… – Maria Pilar Maiztegui Valdivieso” style=”fancy”]

Morei 24 anos na Mooca, na Rua Sapucaia, bem pertinho da Pizzaria do Ângelo, e esta pizzaria realmente é a mais gostosa do pedaço…
Mas também não se pode descartar a São Pedro, nem a Juventus – casa de esfihas, uma das mais saborosas do bairro.

Minha família tinha fábrica montada na Rua Tobias Barreto, onde hoje é a Ventisilva… Meu tio (José Maria Lizzarriturri), era o proprietário de uma fábrica de armas, a antiga Castelo. Há muito que não existe, mas durante as décadas de 40 e 50, era merecedora de grande destaque.
Senhoras da alta sociedade adquiriam as garruchinhas e pistolinhas com cabos de madrepérola e aço inoxidável como status, carregando em suas bolsinhas de mão no intuito de protegê-las da violência de então. (???)

Ao lado da Castelo, uma outra fábrica de destaque : SECURIT… durante anos imperou no bairro, fazendo armários e portas de aço e equipamentos de segurança, até que por fim sucumbiu e em seu lugar encontramos hoje a grande concessionária da FIAT – Sinal Veículos.
Na própria rua onde morava – na Sapucaia – houve muita mudança. Onde estavam prédios antigos e uma tecelagem, a Record, foram erguidos prédios de apartamento de médio e alto padrão, e aos poucos, o sossego vai assumindo os novos comportamentos da sociedade.

A primeira Universidade entrou com ar majestoso na Rua Taquari. A São Judas trocou o prédio da Rua Javari por um complexo gigantesco que não pára de crescer.

O primeiro motel da região – Pousada do Cawboy – deu o que falar!
E o progresso chega aos poucos, devastando as lembranças, dando lugar para novos empreendimentos…

Mas o gostoso mesmo é que por onde passo, relembro os bons momentos da minha infância, e a imagem destes enche de alegria e tira o vazio que o concreto insiste em sepultar.

Maria Pilar Maiztegui Valdivieso

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Mooca : onde sobrevive a gentileza – Josué Antonio Pereira” style=”fancy”]

Há algum tempo atrás tive que ir a Mooca visitar um cliente. Como não conhecesse bem o bairro, estava tendo dificuldade de localizar a rua de meu destino. Ao emparelhar o meu veículo com outro perguntei para o motorista desse veículo ( um senhor loiro, um pouco calvo) onde se localizava tal rua. Para minha surpresa ele me disse :

-Siga-me que eu te levarei até lá

Ao chegar ao local, voltei a emparelhar o carro para agradecer a gentileza e lhe disse :

– Que sorte que o senhor também estava vindo para estes lados…

Para minha surpresa, ele me respondeu :

– Não, eu não estava vindo para cá. É que, como o senhor viu, para explicar como chegar até aqui não seria muito simples.

Conversando depois com os meus clientes, eles me disseram que atitudes como essa são muito próprias dos moradores da Mooca. A partir daí passei a ser um admirador desse bairro e, sempre que possível, para lá vou com minha família para jantar em suas muitas pizzarias.

Felizmente, na Mooca ainda sobrevive a gentileza e a cordialidade.

Em tempo : agora já aprendi a andar pela Mooca.

Josué Antonio Pereira

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Rua Javari: ainda há poesia no futebol – Luiz Fernando Bindi” style=”fancy”]

Num sábado de 2001, resolvi fazer um programa que muitos classificariam como sendo de índio: fui assistir Juventus e Olímpia pela Segunda Divisão do Campeonato Paulista.

Por 5 reais, comprei um ingresso nas antigas e tradicionais arquibancadas do Estádio Conde Rodolfo Crespi, a famosa Rua Javari, no ainda mais tradicional bairro do Mooca.

Estacionei defronte à Pizzaria São Pedro (com mais de cinqüenta anos de bairro). Eu havia chegado às duas da tarde e o jogo começava às três, pois não há refletores na Javari e as partidas têm que terminar antes de escurecer.

Com tempo de sobra, pus-me a observar, o olho direito, geógrafo e o esquerdo, jornalista, as pessoas que começavam a se aglomerar em frente ao acanhado portão de madeira que praticamente separa a rua do gramado.

Primeira constatação: a média etária da torcida juventina é bastante alta, certamente ultrapassando os 50 anos. De pessoas mais jovens, um menino de dez, doze anos, acompanhando um visivelmente emocionado avô, e mais umas quinze pessoas entre vinte e trinta anos.

Quando faltavam vinte minutos para a três da tarde, por volta de setenta torcedores se aglomeravam à espera da abertura do portão. E ele se abriu, com os guardas chamando os torcedores pelo nome e me olhando como a dizer: “esse eu não conheço” e os orientando a passar pela catraca eletrônica (algo deslocada naquele ambiente anos 60).

Lá dentro, um cheiro de poesia, de grama seca sob o sol forte, de saudade (um tio-avô meu foi o sócio número 1 do Juventus) e de absoluta paixão pelo futebol.

Sentei na arquibancada branca e grená (capacidade para 196 torcedores, diz uma placa preta com letras amarelas) e esperei o jogo começar, sempre observando a torcida que chegava.

A organizada do Juventus (a Ju-Jovem), brinca-se, cabe numa Kombi. Mas ela chegou barulhenta, uma romântica charanga, entoando nomes de jogadores desconhecidos com uma paixão há tempos esquecida. Realmente, ela é formada por jovens, que não ultrapassam os vinte anos. Fico pensando: nas brincadeiras da segunda-feira, terão eles coragem de admitir que torcem para o Juventus da Mooca?

A partida começou, muito boa e bastante disputada. Meus olhos eram de um simples observador, já que não torço para nenhum dos dois times. Mas ao ver o amor construindo-se à minha frente na figura de um senhor de seus setenta anos, que gritava palavrões em italiano e dizia que não xinga “jogadô do Juventos”, comecei, sem me dar conta, a torcer pelo time grená.

No fim do jogo, quando o Juventus fez o gol da vitória aos 47 do segundo tempo, me peguei pulando e abraçando “seu” Irineu, o italiano que xingava na sua língua natal.

Na saída, esperando em frente à porta de madeira cor de vinho, estava o menino de uns doze anos que acompanhava o avô. Flâmula na mão direita e caneta na mão esquerda, ostentava um brilho que só o puro amor pode trazer aos olhos de uma pessoa. É… como o futebol é lindo…

Luiz Fernando Bindi

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Palestra X Juventus – Decio Figueiredo” style=”fancy”] Uma estória maravilhosa que meu avô me contou é que no tempo em que existia o Palestra Itália e o Juventus e eles jogavam no campo do Juventus na rua Javari o time perdedor ao invés de sair na porrada ou vandalizar o bairro, tinha era que pagar a pizza pro time vencedor no Romanato que já naquele tempo entregava pizza em casa, de moto ou bicicleta.

Décio Figueiredo

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”A Bica da Rua Oratório – Mario Fiamenghi” style=”fancy”]

Não faz tanto tempo assim, pois só tenho 51 anos, mas lembro-me de algo que todos conheciam na Mooca.

Todos que passavam pela Rua do Oratório na confluência com a Rua Cuiabá, conheciam uma “bica”, que na verdade era uma bacia de ferro fundido com cerca de dois metros de diâmetro, para que os cavalos tomassem água.

Nessa época verdureiros, padeiros e até os lixeiros se utilizavam de carroças com tração animal, e era comum vê-los parados neste local para que os animais matassem a sede.

Onde estaria essa relíquia????

Mario Fiamenghi Filho

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Os campos da Bica – Antonio Carlos Mendonça” style=”fancy”]

Eu conhecia como “Bica”, mas outros como Barroca. Tanto faz. O fato é que assim era denominada uma extensa área localizada onde hoje se situa o Parque da Mooca, que ia desde a Avenida Paes de Barros até os Armazéns Gerais, que ladeavam a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, no Ipiranga.

Nessa área existiam inúmeras nascentes formando córregos e pequenos lagos, mas a maior parte era coberta por vegetação com muitas árvores frutíferas, atraindo dezenas de espécies de aves e outras espécies de animais, inclusive muitas cobras.

Mas, um outro tipo de atração levava muita gente para aqueles lados : as dezenas de campos de futebol, onde desfilavam muitos outros tipos de “cobras” : os craques da várzea, muitos deles futuros integrantes das grandes equipes de futebol profissional.

Não sei precisar, mas acredito que esses campos foram mantidos até a década de 1960 quando o Juventus iniciou a construção do seu complexo poliesportivo, trazendo um grande desenvolvimento para toda a região.

Antonio Carlos Mendonça

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Um casamento na Mooca – Decio Figueiredo” style=”fancy”]

Eu me lembro de um casamento bem italiano que participei quando era criança, com festa no fundo do quintal ,com direito a cobertura de lona de caminhão, com bico de luz e até um maravilhoso repolho envolvido em papel alumínio, cheio de canapés com picles e salsicha, igual às histórias que a Miriam Batucada contava em seus shows (ela também morou na Mooca).

Décio Figueiredo

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Odores da Mooca – Valdir Terezzino” style=”fancy”]

Eu me lembro e sinto saudades. Nascido e criado na Mooca, ainda lembro dos sons, dos odores e sabores da Mooca. Os sons dos “apitos” das fábricas, os sons dos vendedores de rua “olha o piruliteiroooo!!!”, o cheiro do refino do açúcar “UNIÃO”, o cheiro da fábrica de bolacha “RAUCCI”, o sabores dos pães e dos pães doces trazidos de porta em porta pelos padeiros em suas carroças….Que saudades !!!

Valdir Terezzino

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Os tanques da Rua Domingos – Vicente Ferrão” style=”fancy”]

Bem no meio da na Rua Domingos de Oliveira, pequena travessa entre a Rua da Mooca e Rua do Oratório, havia o que nós chamávamos de “larguinho”, ou seja, uma parte mais larga da rua.

O fato interessante é que nesse larguinho, no início dos anos 50, havia vários tanques de lavar roupa, abastecidos por uma bica de água, e que eram utilizados não só pelas moradoras dessa rua como de toda a vizinhança.

Vicente Ferrão

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Lembranças do Cozzi – Pedro Rodrigues” style=”fancy”]

Eu me lembro de um torcedor do Juventus, presente em todas as partidas na Rua Javari ( e às vezes no campo adversário). Ele era conhecido como Cozzi, que, na verdade, era seu sobrenome ( eu nunca soube o seu primeiro nome). Era irmão de um famoso radialista esportivo chamado Oduvaldo Cozzi, muito famoso no Rio de Janeiro.

Cozzi era uma espécie de mascote do Juventus. Nunca foi visto são : vivia bêbado 24 horas por dia. Era um terror para os goleiros dos times adversários. Tão logo chegava ao campo, já se postava atrás do gol adversário e gozava ou xingava o goleiro ininterruptamente, desde o momento em que “a vítima” entrava em campo até o final do jogo.

São figuras como essa que integram o folclore dos estádios.

Pedro Rodrigues

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”O bebedouro para cavalos – Cecilia Machado” style=”fancy”]

Na esquina da Rua do Oratório com a Rua Cuiabá, onde hoje existe um posto de gasolina, havia um bebedouro onde os carroceiros levavam os cavalos para beber água. Nos anos 60, eu conheci uma moça que estava grávida e, por conta da gravidez, sentia muito sono. Alguém então lhe ensinou uma simpatia : “lavar o rosto todos os dias onde o cavalo bebe água”. Por isso, todos os dias, na hora do almoço, ela para lá se dirigia para lavar o rosto. Como eu nunca mais a encontrei não fiquei sabendo se a simpatia deu resultado.

Cecília Machado

[/su_spoiler] [su_spoiler title=”Os operários da IRF Matarazzo – Luzia Ferreira das Neves” style=”fancy”]

Eu me lembro com saudades, dos meus tempos de menina, quando morava na Rua Marcial (onde hoje está a Universidade São Judas Tadeu). Nas noites de verão ficávamos brincando na rua, enquanto nossas mães ficavam, sentadas em cadeiras colocadas nas calçadas.
Às 22 horas, a fábrica da I.R.F Matarazzo tocava a sirene e todos os operários saiam para ir para suas casas. A rua ficava movimentadíssima com os operários apressados para irem embora.
Como isso acontecia todos os dias, acabávamos conhecendo as pessoas que ali passavam, que, mesmo apressados, não deixavam de mexer com as crianças e cumprimentar as mães.
Foi um tempo muito calmo e gostoso, quando ainda se tinha tempo para conversar e participar das brincadeiras dos filhos.

Luzia Ferreira das Neves

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